terça-feira, 3 de novembro de 2009

Una

hipnose mística

que fez de algo como onírico

um metamorfo

de rochas

tal ossos

e carne

junção de areias

e lágrimas sensualizadas


mas o que a cor dos meus olhos espelhava

era esse teu impávido azul escuro

quase negror

de noite funda

e tua boca em grãos brancos densos veio descendo meu corpo

e me senti todo acariciado


como se meus pelos em frio

dormitassem de leve

ao sentir o arrepio de teus dentes espumosos airosamente me mordendo

deixando a tua saliva de guitarra pestanejada

perenemente se enlaçando no suor passivo de meus impulsos

e eu te transbordando de vida

no seu me entornar de deliciosidades...


e assim, no teu mel cerúleo

permaneci lassivo

entregando o corpo aos acentos de volúpia

e fui aceitando o áspero de tuas garras de pantera obscura


quando vi

Panosexualizávamos desmesuradamente

e errávamos como deuses entusiasmados de todo o movimento incessante dos oceanos

e de toda a estrutura óssea e carnívora dos continentes

éramos como criadores no clímax da imaginação de conceber


e devorávamos para construir...


no fundo do teus abraços se chocando

com a explícita forma de meu ser

escapuli-me todos os sustenidos

e deixei a música aguda do corpo se soltar


a sensação era quase de ebriamente

delírios entorpecentes deslizando no colapso dos caracóis famintos

e as conxas nas coxas
as costas se entrechocando

como um roedor faminto friccionado entre as presas o alimento e se saciando...

e vi uma pérola como que introjetando-se no núcleo de meu bojo

eu vivia a estrela depositada que queria sair para aventurar-se no eterno não humano


então eu a expeli

e do jacto luminoso

estandarte líquido

vapor meio pó

tombaram da terra

ao êxtase oculto dos astros..

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