Não diga não diga
duplo silêncio
nem aja apenas
dupla pena de agir
reponda responda
e você não vai ouvir
ou o ouvido saltará
o corpo ouvirá
e o lábio
como a porta
que não é transição de caminhos
sinta não sinta
sofra e não sofra
para que saber
se a dúvida é a saída?
futuro o futuro
não sei e será não sei
e este desepero?
deixe desesperar
embarcaremos amanhã a viagem sem voo com pouso necessário ou apenas a nuvem dançando e bulindo como uma criança estúpida e
sem noção.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
sozinho em sampa (frascos da metrópole)
Sozinho em Sampa
o grafitti das ruas
em meu nome
mensagens diárias
que ninguém busca ver.
meu coração o silêncio
- os fazedores de rima como bardos mudos-
meu coração o silêncio
e observo o abrir de porta do ônibus:
prostitutas, travestis, swingers
a igreja ao lado, um casamento,
um mendigo e um terno:
apenas atravesso a rua
às vezes para ir ao trabalho
às vezes apenas bêbado
...daquele quarto vazio em que me encontro
um arranha-céu brota na sala
dezenas de shopping centers no meu banheiro
dou a descarga.
Na cozinha,uma flor,
mais um litro de gasolina
e hoje durmo mais tarde contando carneiros ou horas extras não pagas...
ao meu redor, pessoas,
sou um sábio sem dizê-lo,
vi a luz e mudo;
messias sem milagre.
...nas avenidas,além dos carros,
meu corpo inerme,
minha tristeza cinza, meu prejuízo sem palavras.
Acordo cansado.
mas as calçadas me aliviam
sou um caminhante, um flaneur sem querer.
começo a conhecer a cidade ou
ela a conhecer-me
suas mãos me tocam como uma noite
o já vivido, o perdido, o luto, o futuro, a incerteza, a loucura -
- batata frita, uma cerveja, um filme hoje, estou sem dinheiro
estou sem amigos, estou sozinho,
sozinho em sampa.
- hoje talvez eu morra debaixo daquele jardim sem que nem mesmo uma planta saiba meu nome ou minhas unhas
- ou então, um estranho talvez, e uma vida...
:e eu viva:
o grafitti das ruas
em meu nome
mensagens diárias
que ninguém busca ver.
meu coração o silêncio
- os fazedores de rima como bardos mudos-
meu coração o silêncio
e observo o abrir de porta do ônibus:
prostitutas, travestis, swingers
a igreja ao lado, um casamento,
um mendigo e um terno:
apenas atravesso a rua
às vezes para ir ao trabalho
às vezes apenas bêbado
...daquele quarto vazio em que me encontro
um arranha-céu brota na sala
dezenas de shopping centers no meu banheiro
dou a descarga.
Na cozinha,uma flor,
mais um litro de gasolina
e hoje durmo mais tarde contando carneiros ou horas extras não pagas...
ao meu redor, pessoas,
sou um sábio sem dizê-lo,
vi a luz e mudo;
messias sem milagre.
...nas avenidas,além dos carros,
meu corpo inerme,
minha tristeza cinza, meu prejuízo sem palavras.
Acordo cansado.
mas as calçadas me aliviam
sou um caminhante, um flaneur sem querer.
começo a conhecer a cidade ou
ela a conhecer-me
suas mãos me tocam como uma noite
o já vivido, o perdido, o luto, o futuro, a incerteza, a loucura -
- batata frita, uma cerveja, um filme hoje, estou sem dinheiro
estou sem amigos, estou sozinho,
sozinho em sampa.
- hoje talvez eu morra debaixo daquele jardim sem que nem mesmo uma planta saiba meu nome ou minhas unhas
- ou então, um estranho talvez, e uma vida...
:e eu viva:
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Você me lê muito fácil
eu continuo sendo o garoto do interior
o limite da vida:
o limite da casa,
da escola.
Lido todo,
mas não lido,
exposto como carne aos canibais
e suplicando apenas para que eles não saibam
a chave para
a refeição do mais que corpo
Lido
e com medo muito medo
parecia um jacaré sem garras ou escamas
só a pele fria
os olhos brilhantes
e me adaptando a temperatura do ambiente
lido
eu tétrico
o medo da autorevelação
a fragilidade
a dependência e a morte
o buraco negro que se abre para um amador
já lidei com facas
tiros
mas morro mesmo
é com o menosprezo
mas morro mesmo
é com a solidão
o abandono
dono abrangentemente
do meu sono
do meu dia
meu eterno prazer
de ser o mais desgraçado
o mais coitado
o mais repudiado
- minha vaidade acima de tudo!
lido
e sem progressão.
lido.
estupidamente lido.
e sem remédio
só pude assumir
me sentir humano
me sentir humilhado
e nada
nada perfeito.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
O bom-moço
Educadinho...
vai a merda - primeira reação.
Mas, quem é que vê
sob
toda a raiva
toda a ironia
a pervesão
e quem vê
sobre
o medo
a insegurança
a desconfiança?
Educado?
um maldito apenas,
será isto,
mal educado,
senhoras e senhores?
vai a merda - primeira reação.
Mas, quem é que vê
sob
toda a raiva
toda a ironia
a pervesão
e quem vê
sobre
o medo
a insegurança
a desconfiança?
Educado?
um maldito apenas,
será isto,
mal educado,
senhoras e senhores?
Um toque subversivo
Ainda medroso
pálido
em branco
sou como uma folha de papel antes.
mas, este fogo
pálido
em branco
que surge como contraresposta
que é isto?
Um dia achei que era uma oração
não, não sou santo.
Outro, pensei que fosse o cálculo do etéreo
Hoje... que pensar?
Talvez os dias
inúmeros rasgados, taças quebradas,
estilhaços apenas do que eu suspeitava não surgir nunca
e veja surgiu...
tacanho
inútil
vazio
desprezado
medíocre
pobre
e os críticos deitam em cima
eu sou no entanto
ali
em diversão
fogo nas mãos
e levitando
com as minhas dores
queixas
e aquele silêncio que ninguém veio a entender
ninguém acompanhou
o momento soturno
o momento hediondo
o momento simplemente alegre
mas eu vi
menoscabado
e menoscabal
este pequeno poema
escrito
idiotamente
e quem poderia calá-lo
se nem mesmo eu pude
se nem eu mesmo pude consolar suas lenhas
e vê-lo aqui
num toque subversivo:
queimo-brotando?
pálido
em branco
sou como uma folha de papel antes.
mas, este fogo
pálido
em branco
que surge como contraresposta
que é isto?
Um dia achei que era uma oração
não, não sou santo.
Outro, pensei que fosse o cálculo do etéreo
Hoje... que pensar?
Talvez os dias
inúmeros rasgados, taças quebradas,
estilhaços apenas do que eu suspeitava não surgir nunca
e veja surgiu...
tacanho
inútil
vazio
desprezado
medíocre
pobre
e os críticos deitam em cima
eu sou no entanto
ali
em diversão
fogo nas mãos
e levitando
com as minhas dores
queixas
e aquele silêncio que ninguém veio a entender
ninguém acompanhou
o momento soturno
o momento hediondo
o momento simplemente alegre
mas eu vi
menoscabado
e menoscabal
este pequeno poema
escrito
idiotamente
e quem poderia calá-lo
se nem mesmo eu pude
se nem eu mesmo pude consolar suas lenhas
e vê-lo aqui
num toque subversivo:
queimo-brotando?
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